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Este blog é um espaço cultural que tem por objetivo mostrar fatos atuais e aspectos importantes da área de artes. É mantido por alunos de uma turma de nono ano do Ensino Fundamental Maior. Foi construído com o objetivo de levar à sociedade um conjunto de informações e conhecimentos; realizar associações, produzir textos criativos e despertar a consciência crítica.
Bibliografia de Adriana varejão e Vik Muniz
| Varejão, Adriana (1964)
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HAVANA — Cuba preparou uma mudança histórica do modelo econômico com a adoção das reformas anunciadas em 2010 por Raúl Castro e um rejuvenescimento da direção do Partido Comunista de Cuba (PCC), que realiza a partir de sábado e até terça-feira seu primeiro congresso em 14 anos.
"Ou mudamos o curso ou afundamos", alertou, em dezembro, o presidente Raúl Castro, que se esforça, depois que sucedeu seu irmão Fidel em 2006, para preparar os 11,2 milhões de cubanos para uma mudança do modelo econômico da ilha.
"Temos o dever essencial de corrigir os erros que cometemos durante essas cinco décadas de construção do socialismo em Cuba", explicou Raúl Castro, de 79 anos.
O mais jovem dos Castro sabe também que chegou a hora de a geração histórica da Revolução passar o bastão. A exemplo de Fidel Castro (84 anos), que anunciou em março sua intenção de renunciar em ocasião do congresso ao posto de primeiro secretário do PCC que ocupa desde a fundação do partido, em 1965.
Para realizar esta "atualização" do modelo cubano, calcado na URSS dos anos 70, o 6º congresso do PCC deverá oficialmente efetuar uma série de reformas econômicas lançadas em 2010 pelo governo.
Redução em cerca de 20% dos postos de trabalho no funcionalismo público, abertura para o setor privado de 178 pequenas empresas, criação de uma rede de cooperativas urbanas, maior autonomia das empresas estatais, descentralização do setor agro-alimentar, abertura ao capital estrangeiro, redução dos subsídios e estabelecimento de um sistema fiscal.
A lista é longa de reformas que devem salvar Cuba do naufrágio, mantendo as conquistas sociais -educação e saúde gratuitas principalmente- e os fundamentos igualitários do sistema cubano.
A evolução se faz também entre duas culturas: a do Estado providencial que atende às necessidades de todos e a do trabalho e da iniciativa privada.
Os milhares de cubanos que perdem seu trabalho no setor público são ainda estimulados a trabalhar por conta própria. Cerca de 300.000 "cuentapropistas" são registrados, sendo que a metade se inscreveu depois da abertura de novas condições de trabalho em outubro.
Os funcionários do Estado que se tornam "disponíveis" são estimulados também a integrar cooperativas de construção ou cooperativas agrícolas: 40% das áreas de terras cultiváveis ainda não são utilizadas, apesar das distribuição de terra em usufruto que o governo realizou a partir de 2008.
Até 2015, metade dos cinco milhões de funcionários públicos deverão passar para o setor privado, espera o governo.
Mas se livrar de um modelo estático paternalista de meio século não é um processo tranquilo.
Mais de sete milhões de cubanos participaram neste inverno de debates de comunidades e associações sobre as reformas. Suas preocupações: o fim da "libreta" - uma lista de racionamento que assegura a todo cubano uma cesta de produtos a preços subsidiados-, o baixo nível dos salários -15 a 20 euros mensais -, a circulação da moeda dupla -o peso "nacional" e o peso "convertível"- que condena aquele que não tem acesso às divisas a uma dura sobrevivência cotidiana.
Há também as preocupações com o capitalismo: enriquecimento pessoal, concentração de riquezas, dificuldades de habitação, qualidade dos serviços.
Paralelamente à economia, o 6º Congresso do PCC deverá eleger também cerca de cem membros de seu comitê central, que designarão em seguida o seu birô político (19 membros hoje) e seu secretariado (10).
Fidel Castro deverá deixar suas últimas funções oficiais, mas manterá toda a sua influência, como bom "soldado de ideias", como gosta de se apresentar.
Começa nesta terça (1), no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, a exposição “Relicário”, de Vik Muniz. O artista que é tema de "Lixo Extraordinário" -- filme que acaba de concorrer ao Oscar na categoria de Melhor Documentário -- relembra na mostra o início de sua carreira.
A exposição reúne 30 peças produzidas entre 1988 (ano de sua primeira exposição individual) e 2010.
O trabalho inclui obras como bonecos representando bebês em recipientes de vidros cheios de água, como se estivessem conservados em formol (“Museum”), e um túmulo construído em potes de plástico e batizado de “Sarcophagus Tuppeware”.
Já na série “Flora Industrtialis”, o artista cataloga fotografias de flores artificiais confeccionadas em tecidos, arames e outras matérias-primas, com rigor científico, identificando o país fabricante e o tipo de material empregado.
A mostra também reúne obras como um origami --feito de uma só folha de papel branco e que reproduz um origamista--, um crânio com nariz de palhaço, uma ampulheta com um tijolo substituindo a areia, luvas de seis dedos, uma bola de futebol murcha, uma tocha carbonizada, uma pluma de mármore Carrara, uma mesa de bonsai e uma mala de mármore preto belga com alça de couro.
Chegou ao fim, depois de cinco anos, o casamento de Adriana Varejão com Bernardo Paz. Ela, que vivia entre Rio e Minas desde 2005 (quando se casou), é uma das mais importantes e bem-sucedidas artistas plásticas de sua geração: já participou de importantes Bienais e teve trabalhos mostrados no Moma, em Nova York, na Fundação Cartier, em Paris, Hara Museum em Tóquio etc. Ele, um megacolecionador, dono do maior centro de arte contemporânea do mundo, em Inhotim, Minas Gerais, com pavilhões de Tunga, Carlos Vergara, Ernesto Neto, Cildo Meireles, Miguel Rio Branco… Para se ter uma ideia, um dos estrangeiros que estiveram no Brasil para o casamento dos dois disse jamais ter imaginado cenário tão deslumbrante no Brasil. Aliás, Inhotim foi citado também no suplemento de viagem do New York Times. O casal já ensaiou se separar outras vezes, mas nunca como agora, quando Adriana já participava aos amigos sobre o assunto, durante a abertura da exposição de Vicente de Mello, no MAC, em Niterói, nesse fim de semana
Chegou ao fim, depois de cinco anos, o casamento de Adriana Varejão com Bernardo Paz. Ela, que vivia entre Rio e Minas desde 2005 (quando se casou), é uma das mais importantes e bem-sucedidas artistas plásticas de sua geração: já participou de importantes Bienais e teve trabalhos mostrados no Moma, em Nova York, na Fundação Cartier, em Paris, Hara Museum em Tóquio etc. Ele, um megacolecionador, dono do maior centro de arte contemporânea do mundo, em Inhotim, Minas Gerais, com pavilhões de Tunga, Carlos Vergara, Ernesto Neto, Cildo Meireles, Miguel Rio Branco… Para se ter uma ideia, um dos estrangeiros que estiveram no Brasil para o casamento dos dois disse jamais ter imaginado cenário tão deslumbrante no Brasil. Aliás, Inhotim foi citado também no suplemento de viagem do New York Times. O casal já ensaiou se separar outras vezes, mas nunca como agora, quando Adriana já participava aos amigos sobre o assunto, durante a abertura da exposição de Vicente de Mello, no MAC, em Niterói, nesse fim de semana
Chegou ao fim, depois de cinco anos, o casamento de Adriana Varejão com Bernardo Paz. Ela, que vivia entre Rio e Minas desde 2005 (quando se casou), é uma das mais importantes e bem-sucedidas artistas plásticas de sua geração: já participou de importantes Bienais e teve trabalhos mostrados no Moma, em Nova York, na Fundação Cartier, em Paris, Hara Museum em Tóquio etc. Ele, um megacolecionador, dono do maior centro de arte contemporânea do mundo, em Inhotim, Minas Gerais, com pavilhões de Tunga, Carlos Vergara, Ernesto Neto, Cildo Meireles, Miguel Rio Branco… Para se ter uma ideia, um dos estrangeiros que estiveram no Brasil para o casamento dos dois disse jamais ter imaginado cenário tão deslumbrante no Brasil. Aliás, Inhotim foi citado também no suplemento de viagem do New York Times. O casal já ensaiou se separar outras vezes, mas nunca como agora, quando Adriana já participava aos amigos sobre o assunto, durante a abertura da exposição de Vicente de Mello, no MAC, em Niterói, nesse fim de semana

Não se iluda com a cara de anjo – a mulher aí em cima é uma fera. Neste ano de 2005, a artista plástica Adriana Varejão já fez uma exposição em Paris, terminou um casamento de seis anos, ficou grávida (Catarina vai nascer em janeiro), casou-se novamente, montou e inaugurou outra exposição em São Paulo com todas as peças vendidas, ao precinho de 110.000 dólares cada uma. E com fila de espera. "Ela tem mercado de verdade", atesta o marchand Jones Bergamin, da Bolsa de Arte do Rio de Janeiro. Aos 41 anos e aparentando muito menos, bonita, chique, moderna, apaixonada, morando num dos lugares mais espetaculares do país, Adriana está no auge. Detesta, por motivos óbvios, ser chamada de a princesa das artes plásticas, mas é difícil imaginar classificação mais precisa para quem, além de ter sua aparência, marca presença nas principais coleções do Brasil e do mundo – Tate Modern, Guggenheim, Fundação Cartier, Patricia Cisneros, Gilberto Chateaubriand e José Olympio Pereira, entre outros.
A obra de Adriana faz uma ponte entre a modernidade e as convulsões físicas e mentais do barroco brasileiro, que descobriu adolescente, numa viagem a Minas Gerais. Influências? Ela lista, de um fôlego só, intelectuais (Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre), artistas (Rembrandt, Goya, Diego Rivera, Iberê Camargo) e cineastas (Peter Greenaway, David Cronenberg). O resultado, que junta elementos de azulejaria a representações realistas de vísceras expostas, é definido pela autora como a síntese de elementos aparentemente desconexos, que vão de botequim na boêmia Lapa carioca a piscina em Budapeste, passando por "notícia de jornal, banheiro de rodoviária, carne-seca em Caruaru e quadro em Nova York". Comentário típico de artista, certo? Mas Adriana não tem nada do estereótipo de excentricidade maluquete normalmente associado à categoria. Disciplinada, trabalha pelo menos oito horas por dia, com duas auxiliares; atenta aos negócios, dedica parte da jornada ao escritório e tem sua vida empresarial completamente organizada, com firma de exportação, impostos em dia e contador. É do time que considera inspiração coisa do século XIX e afirma que sua profissão é igual a outra qualquer, embora a criação seja um processo sofrido. "Durmo cheia de problemas. Quadro tem personalidade própria, e a relação nem sempre é amorosa", diz. O que não impede que tenha tempo para ser carioca da gema: adora praia, chorinho, cachaça e botequim e já teve seu trabalho estampado nas camisetas do bloco Simpatia É Quase Amor, um ícone do Carnaval da Zona Sul do Rio.
tirado : www.veja.com.br
Vik Muniz é, entre os artistas contemporâneos da nova geração, o de maior visibilidade. Sua obra discute a fotografia como meio de representação a partir do registro de materiais inusitados como chocolate, açúcar, poeira, lixo, arame, fios de algodão e papel picado, pimenta, entre outros, criando desse modo, um diálogo com a história da arte.
Com obras em acervos de museus como o Metropolitan, o Whitney, o MoMA, de Nova York e o Reina Sofia, de Madri, o artista plástico brasileiro é muito mais conhecido no exterior que no seu próprio país - onde seu trabalho mais famoso é exatamente o de chocolate na capa do CD Tribalistas.
Filho único de pai garçom e mãe telefonista, o próprio artista costuma dizer que pensava ser impossível trabalhar e ganhar a vida como artista plástico. O envolvimento com as artes plásticas veio tardiamente, quando ele se mudou para os Estados Unidos, em 1983, com um vocabulário restritíssimo em inglês (yes e no).
Passou cinco anos vivendo de subempregos e chegou a dormir na rua. Foi quando trabalhava numa molduraria de Nova York que, ao saber que as horríveis pinturas que emoldurava eram vendidas por 200 dólares, pensou que podia fazer melhor. Além de produzir quadros kitsch, que lhe valiam alguns trocados, começou a fazer esculturas estranhas e incomuns que lhe abriram as portas do circuito de arte novaiorquino.
Explorar o horizonte da percepção visual usando materiais inusitados como serragem, açúcar, areia, papel de parede, jornais ou lixo numa obra de arte não é algo novo, pois Picasso e Braque já o faziam por volta de l9l2 em Paris. Mas Vik usa açúcar, arame, terra, barbante, chocolate, especiarias, lixo, gel, mel, poeira e outros elementos que seria cansativo enumerar, de uma maneira radicalmente criativa, sendo que essas são suas matérias primas e não meros adereços.
Alguma séries que pessoalmente, me adragam muito:
"Crianças de Açúcar": retrata imagens de meninas de rua, crianças que trabalham em plantações de cana de açúcar no Caribe.
"Aftermath": traz fotos de meninos de rua de São Paulo, retrabalhadas com lixo do Carnaval.
É sempre bom lembara que todas as vezes em que Vik retrata problemas sociais, parte da renda das vendas é doada para instituições de crianças e adolescentes, sendo que a fotografia mais barata de Vik Muniz custa US$ 5 mil.
Nos Estados Unidos, ele já alcançou US$ 75 mil por uma fotografia e US$ 150 mil por um conjunto de 14 painéis, arrematados num leilão em Paris.
Site oficial: http://www.vikmuniz.net
Uma tela da artista plástica Adriana Varejão se tornou, na quarta-feira, 16, a obra mais cara de um artista brasileiro vivo. "Parede com incisões à La Fontana II", feita em 2001, foi leiloado por R$ 2,975 milhões na casa especializada Christie's, de Londres.
Adriana quebrou o recorde de Beatriz Milhazes, que teve o quadro "O Mágico" (2001) leiloado por R$ 1,746 milhão na Sotheby's de Nova York no ano passado. Milhazes também era dona do recorde anterior, de R$ 1,7 milhão pela tela "Laranjeiras" (2002), vendida em 2007.
Carioca nascida em 1964, Varejão já participou de exposições na Bienal de São Paulo, no MoMa em Nova York e na Tate Modern em Londres. Sua obra mais cara até então era "Paisagem Canibal", vendida por R$ 1 milhão no ano passado.
| Novas obras contemporâneas são inauguradas no Inhotim |
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O Instituto Inhotim inaugura, nos dias 30 de setembro, 2 e 3 de outubro, nove obras permanentes no espaço localizado na cidade de Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte. Os trabalhos são dos artistas Chris Burden, Doug Aitken, Edgard de Souza, Janet Cardiff & George Bures Miller, Jorge Macchi, Matthew Barney, Rivane Neuenschwander, Valeska Soares e Yayoi Kusama.
As obras de grande escala estarão disponíveis para a visitação do público a partir do dia 1º de outubro. Dessa maneira, o Inhotim pretende se consolidar como um espaço de arte contemporânea diferenciado, com propostas inovadoras, onde a arte é exposta junto com a natureza.
O Inhotim fica na Rua B, número 20, em Brumadinho. O horário de funcionamento é quinta e sexta-feira, das 9h30 às 16h30, e sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h30. Os ingressos custam R$ 7 (meia-entrada) e R$ 15 (inteira).
| Centro cultural Inhotim pode se tornar primeiro jardim botânico particular do país |
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Mais de 19 milhões de brasileiros migraram para a classe C em 2010 e esse grupo passou a representar a maior parcela da população do país. A pesquisa O Observador 2011, encomendada pela Cetelem BGN, empresa do grupo financeiro BNP Paribas, mostra que a classe média tem agora 101 milhões de pessoas.
Com a renda aumentando e o desemprego em queda, no ano passado o consumidor passou a comprar itens que permitiram que ele subisse na escada social. Veículos, eletrodomésticos e até a acasa própria fizeram com que essa fatia da população de menor renda passasse a ser considerada classe média.
As classes sociais utilizadas no estudo são as definidas pelo CCEB (Critério de Classificação Econômica Brasil), que leva em conta itens como posse de, carros e pela quantidade de banheiros na casa, por exemplo.
Em 2009, a pesquisa mostrou que a classe C representava 49% da população brasileira, e naquele ano mais de 30 milhões tinham passado das classes D e E para a C. No mesmo período, os que subiram para as classes A e B somavam quase 1 milhão.
A renda familiar do brasileiro cresceu de R$ 1.285 para R$ 1.557 entre os dois anos analisados. O maior aumento percentual ocorreu entre as famílias das classes A e B, cuja renda mensal familiar média foi de R$ 2.533 para R$ 2.983. Na classe C, esses valores passaram de R$ 1.276 para R$ 1.338. Entre o grupo D/E, esse valor foi de R$ 733para R$ 809.
Miltonleise Carreiro Filho, vice-presidente da Cetelem no Brasil, diz que os gastos dos brasileiros acompanharam o crescimento generalizado da renda em todas as classes. No ano de 2010, os brasileiros gastaram em média, mensalmente, R$ 165 a mais que em 2009.
- Em uma conta simples, só o aumento da renda da população das classes D e E entre 2009 e o ano passado significou mais de R$ 1,4 bilhão disponível para o consumo dessas famílias. É um dinheiro sobrando no orçamento para elas fazerem o que quiserem.
Consumo e otimismo aumentam
A pesquisa mostrou que os gastos dos brasileiros aumentaram em todas as categorias. As despesas essenciais (com supermercado, conta de luz, aluguel, etc.) aumentaram menos. O grande salto ocorreu em gastos com vestuário, seguros, prestação da moradia (a conta de um financiamento habitacional, por exemplo) e crédito bancário (empréstimos ou cheque especial, entre outros).
Para Marcos Etchegoyen, diretor-presidente da financeira, esses números mostram que o brasileiro passou a ter acesso a coisas que antes eram somente sonhos, entre eles a casa própria, e isso mantém a roda da economia girando de forma sustentável. Para ele, é um momento histórico.
- Em 2008 já falávamos do crescimento da classe C; em 2009 ela somava 49% da população, mesmo com a crise financeira. Com os dados de hoje, posso dizer, com certeza, que houve uma enorme mobilidade social no Brasil. Estamos passando por um momento histórico com o fim da pirâmide social [de renda]. Estamos vendo agora um losango.O brasileiro, além disso, está mais otimista. Depois da crise, a avaliação sobre a economia do país aumentou muito em relação aos anos anteriores. Desde 2009, o otimismo é a palavra que define a expectativa do brasileiro em relação ao país, segundo a pesquisa.
O estudo divulgado nesta terça-feira (22) é feito todos os anos em 13 países e ouviu 1.500 pessoas em 70 cidades brasileiras (inclusive nove capitais) para avaliar os hábitos de consumo e a intenção de compra da população. No Brasil, o levantamento ocorreu entre os dias 24 e 31 de dezembro.
http://noticias.r7.com/economia/noticias/classe-c-ganha-quase-20-milhoes-de-pessoas-e-passa-a-ser-a-maior-do-pais-20110322.html
Não se iluda com a cara de anjo – a mulher aí em cima é uma fera. Neste ano de 2005, a artista plástica Adriana Varejão já fez uma exposição em Paris, terminou um casamento de seis anos, ficou grávida (Catarina vai nascer em janeiro), casou-se novamente, montou e inaugurou outra exposição em São Paulo com todas as peças vendidas, ao precinho de 110.000 dólares cada uma. E com fila de espera. "Ela tem mercado de verdade", atesta o marchand Jones Bergamin, da Bolsa de Arte do Rio de Janeiro. Aos 41 anos e aparentando muito menos, bonita, chique, moderna, apaixonada, morando num dos lugares mais espetaculares do país, Adriana está no auge. Detesta, por motivos óbvios, ser chamada de a princesa das artes plásticas, mas é difícil imaginar classificação mais precisa para quem, além de ter sua aparência, marca presença nas principais coleções do Brasil e do mundo – Tate Modern, Guggenheim, Fundação Cartier, Patricia Cisneros, Gilberto Chateaubriand e José Olympio Pereira, entre outros.
A obra de Adriana faz uma ponte entre a modernidade e as convulsões físicas e mentais do barroco brasileiro, que descobriu adolescente, numa viagem a Minas Gerais. Influências? Ela lista, de um fôlego só, intelectuais (Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre), artistas (Rembrandt, Goya, Diego Rivera, Iberê Camargo) e cineastas (Peter Greenaway, David Cronenberg). O resultado, que junta elementos de azulejaria a representações realistas de vísceras expostas, é definido pela autora como a síntese de elementos aparentemente desconexos, que vão de botequim na boêmia Lapa carioca a piscina em Budapeste, passando por "notícia de jornal, banheiro de rodoviária, carne-seca em Caruaru e quadro em Nova York". Comentário típico de artista, certo? Mas Adriana não tem nada do estereótipo de excentricidade maluquete normalmente associado à categoria. Disciplinada, trabalha pelo menos oito horas por dia, com duas auxiliares; atenta aos negócios, dedica parte da jornada ao escritório e tem sua vida empresarial completamente organizada, com firma de exportação, impostos em dia e contador. É do time que considera inspiração coisa do século XIX e afirma que sua profissão é igual a outra qualquer, embora a criação seja um processo sofrido. "Durmo cheia de problemas. Quadro tem personalidade própria, e a relação nem sempre é amorosa", diz. O que não impede que tenha tempo para ser carioca da gema: adora praia, chorinho, cachaça e botequim e já teve seu trabalho estampado nas camisetas do bloco Simpatia É Quase Amor, um ícone do Carnaval da Zona Sul do Rio.
Adriana foi salva da banalidade como artista (mulher, bonita, com uma queda por exotismos orientais) pela tremenda força criativa que explode em sua obra. Filha de pai militar e mãe nutricionista, pensou em ser engenheira. Não chegou ao fim do primeiro ano. Depois tentou desenho industrial. A história se repetiu. Em 1984, matriculou-se na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio, berço da chamada geração 80, imediatamente anterior à sua. Lá, descobriu a possibilidade de viver da arte. Na mesma época, enamorou-se, literalmente, do Oriente. Enveredou pelas artes marciais, tornou-se professora de tai chi chuan, casou-se com seu instrutor, viajou para a China. Depois viveu um casamento de seis anos e muitas rodas de samba com o músico Marcello Gonçalves. Em março deste ano, uma nova guinada. Foi durante uma visita a Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, a convite do empresário mineiro Bernardo Paz, dono do Centro de Arte Contemporânea Inhotim, um ambiciosíssimo empreendimento cultural construído para abrigar sua coleção. O assunto em pauta era a construção de um pavilhão dedicado ao trabalho de Adriana. Rapidamente, a conversa tomou outro rumo – e que rumo. Em poucas semanas ambos desfizeram os respectivos casamentos e, em seguida, ela engravidou.
As fofocas ultrapassaram as fronteiras do mundinho das artes plásticas. Paz é quinze anos mais velho que Adriana, estava no quinto casamento, e é uma figura controvertida no meio artístico. Seu Centro de Arte, de uma beleza de tirar o fôlego, é considerado um espetáculo pelos admiradores e um delírio megalomaníaco pelos detratores. O namoro e a festa de arromba do casamento catapultaram Adriana dos suplementos culturais para as colunas sociais. "Foi muito estranho. A gente fazia qualquer coisa e saía no jornal", diz ela. A festa, para 300 convidados, aconteceu em plena ebulição do escândalo do mensalão, o que acrescentou ainda mais pimenta às fofocas em torno do casal, porque Cristiano Paz, sócio de Marcos Valério nas agências SMPB e DNA, é irmão de Bernardo (e acabou não indo à festa).
No ano que vem, que começará com o nascimento de Catarina, a vida de Adriana ganhará contornos de malabarismo. Ela terá de se dividir entre o feijão-tropeiro com lingüiça e a alimentação natureba, entre a escala monumental de Inhotim e a sua própria, intimista, entre duas casas e dois ateliês. Vai acompanhar a construção do pavilhão que deu início a seu romance com Paz e trabalhar nas obras que ficarão ali expostas, mas não quer permanecer longe do mercado do Rio e de São Paulo (nem dos botequins cariocas, claro). Adriana está se programando para viver na originalíssima ponte aérea Jardim Botânico–Brumadinho. Quanto ao resto do mundo que conta na sua profissão, este vem até ela.
23 de novembro de 2005